Quando a indecisão não faz parte das nossas vidas, tudo parece ficar
mais claro e mais forte. Quando, sem perceber, pegamos uma vereda que
cruza a estrada principal das nossas vidas e sentimo-nos tristes por nos
distanciarmos dela, logo nos lembramos de que é nela, na estrada
principal, onde verdadeiramente precisamos estar para podermos realizar
os nossos sonhos. Quando esquecemos os
nossos sonhos, imediatamente recordamo-nos do Grande Sonho de nossas
vidas. Quem não tem um Grande Sonho? Quem? Ninguém. Todos sonhamos. É
difícil alcançar o Grande Sonho? É, é difícil quando relutamos em querer
alcançar, tendo em vista as vicissitudes, ou quando imaginamos que
jamais teremos os recursos necessários para conseguirmos.
Não é
simples, não é. Não devemos baixar a cabeça ou derramar lágrimas diante
da primeira barreira e tempestade insurgente. Devemos, sim, estar
sempre de cabeça erguida, com semblante imponente e com o sorriso pela
felicidade que queremos tanto abraçar.
Pétala
A rosa já não se mantinha forte como antes. Suas pétalas estavam feias, sem vida... quase mortas. Por mais que a luz branda do sol e as gotas gentis da chuva alimentassem-na, não conseguia fazer com que o seu colorido permanecesse a embelezar a natureza.
Ela sofria constantemente os impactos da forte ventania. Gritava de dores, mas ninguém a ouvia. As pessoas que, próximas a ela, caminhavam, simplesmente ignoravam suas inaudíveis súplicas e pedidos inocentes. Digo inocentes porque ela ainda parece não ter notado a ausência de delicadeza e pudor dos sentimentos humanos.
E chorava... uma de suas pétalas, após se desprender de seu frágil corpo, lentamente caía em direção às impurezas do corredor sujo pelo qual os indivíduos pisam com violência. E com violência pisariam o último suspiro e choro da rosa, que se tornaria seca e despudorada.
A ventania, contudo, diminuiu e, percebendo o fim ao qual a rosa chegava, embalou a pétala e lançou-a ao mundo. O último suspiro e choro tornar-se-iam seu olhar fraco, nervoso e trêmulo, pois ia em direção ao desconhecido, o qual, talvez, viesse a ser sua salvação.
O vento, agora calmo e sereno, levou-a a diversos lugares. Estes lugares iam da melancolia de crianças à angústia e solidão dos idosos; iam do sorriso alegre e pejo da infância ao sorriso infeliz e inescrupuloso da velhice; iam do correr vivo e intenso do sangue jovem ao cedo derramar deste sangue em lugares desconhecidos que a morte faz tanta questão de construir.
A pétala presenciou a força da natureza ao observar a destruição de construções por furacões, tufões e terremotos. Também presenciou a força do homem a queimar florestas, a derrubar árvores, a poluir mares e rios, a matar peixes, pássaros, ursos, jacarés, a bombardear grandes cidades e a pintar em preto e branco a vida de seus semelhantes. Que força tão estúpida é esta, a do homem? - pensou a pétala.
Cansado, o vento parou de envolver a pétala, quem, aos poucos, iniciou uma queda livre. Neste mesmo instante, uma criança nascia e um choro alto repercutia pelo ambiente do parto como o brado de uma guerra que acabara de começar.
Nessa mesma sala, havia uma janela de vidro fechada, através da qual a pétala viu aquele momento, o qual foi desenhado, cautelosamente, no seu último quadro disponível, onde foram lançados o colorido da inocente vida.
Agora, a rosa encarava os mistérios do caminho em cujo fim estão os campos paisagísticos onde o nascimento e a morte são extremos que não são extremos; inimigos que são amigos; amigos que são irmãos.
E a pétala? A pétala sumiu entre os frenéticos passos do homem.
Este é o mundo em que vivemos.
Hora
De parar. Não no sentido de desistência de alguma coisa ou de alguém, mas no sentido de “amadurecência”. Sim, notar-se alguém. Perceber que é e parar de fazer o que incomoda. Sem conotações motivacionais, compreende?
De pensar. Isso, parar para pensar e pensar no porquê de se estar parando. Refletir e ser sincero comigo mesmo. Aliás, sinceridade não tem me faltado.
De parar de pensar demais ou de parar de pensar em parar.
De ser mais simples, descomplicado. Olhar para uma frase e ver somente a frase, nada mais que isso... É tão... Salve a simplicidade! Cidade.
De continuar. De agir. De andar. De correr! De pensar em movimento, avançando sempre. O tempo não me espera. Vê, nota, espia, observa, olha que dia é hoje... Então, não é mais. Já passou. Percebeu? Nem eu! A dinâmica dos dias tem sido algo assustadora quando analisada. E eis que a nostalgia tem estado tão presente ultimamente...
De sair. Ver, rever, conhecer, viajar, curtir (sem alusões a vícios cibernéticos, fui claro?). Ah, viajar...! Tem coisa melhor? “Desbravar”, como diria um amigo. Abstrair... Não, não vou cair na armadilha de um texto anterior. Quero o simples.
De assistir, prestigiar, admirar, criticar, relembrar.
De ler... O que eu gosto de ler! Não o que eu devo ler para obter uma nota.
De cantar! Aos quatro cantos sem mira. Além disso, de tocar errado no violão por mim afinado uma canção que era fácil, mas agora se tornou difícil pela escassez de prática nas seis cordas.
De rir... Mais do que o normal, do que o conveniente. Mais, bem mais! Mania irritante essa de me estressar com besteira... É chata mesmo! Veja só você, eu ficando com raiva da minha facilidade em ficar chateado. Perceptível o drama.
De tanta coisa... De tantas vontades... De tantas saudades... De tantos lugares... De tantos projetos pessoais... De tanto!
De sonhar.
De dormir... Até!
De pensar. Isso, parar para pensar e pensar no porquê de se estar parando. Refletir e ser sincero comigo mesmo. Aliás, sinceridade não tem me faltado.
De parar de pensar demais ou de parar de pensar em parar.
De ser mais simples, descomplicado. Olhar para uma frase e ver somente a frase, nada mais que isso... É tão... Salve a simplicidade! Cidade.
De continuar. De agir. De andar. De correr! De pensar em movimento, avançando sempre. O tempo não me espera. Vê, nota, espia, observa, olha que dia é hoje... Então, não é mais. Já passou. Percebeu? Nem eu! A dinâmica dos dias tem sido algo assustadora quando analisada. E eis que a nostalgia tem estado tão presente ultimamente...
De sair. Ver, rever, conhecer, viajar, curtir (sem alusões a vícios cibernéticos, fui claro?). Ah, viajar...! Tem coisa melhor? “Desbravar”, como diria um amigo. Abstrair... Não, não vou cair na armadilha de um texto anterior. Quero o simples.
De assistir, prestigiar, admirar, criticar, relembrar.
De ler... O que eu gosto de ler! Não o que eu devo ler para obter uma nota.
De cantar! Aos quatro cantos sem mira. Além disso, de tocar errado no violão por mim afinado uma canção que era fácil, mas agora se tornou difícil pela escassez de prática nas seis cordas.
De rir... Mais do que o normal, do que o conveniente. Mais, bem mais! Mania irritante essa de me estressar com besteira... É chata mesmo! Veja só você, eu ficando com raiva da minha facilidade em ficar chateado. Perceptível o drama.
De tanta coisa... De tantas vontades... De tantas saudades... De tantos lugares... De tantos projetos pessoais... De tanto!
De sonhar.
De dormir... Até!
Ímpeto
Fiquei com vontade de escrever.Porém, escrever o quê? Não faço a mínima ideia. Esta sensação veio até mim semo meu consentimento, sem que eu esperasse. Não quis ignorá-la. Pelo contrário,decidi jogar estas palavras aqui por mais que não tenham nenhum impacto na suavida ou na minha.
Eu, particularmente, não gosto deescrever algo sem vida, sem impacto, sem muito sentido. Se por um acaso você nãoentender o que digo, não é porque o texto é mal escrito, e sim porque minhasagruras foram colocadas sem o cuidado necessário em seu pedestal branco esolene.
Poderia passar a madrugadaescrevendo coisas desinteressantes com pitadas de coisas interessantes oucoisas interessantes com pitadas de coisas desinteressantes. Mas não quero.
O que quero agora, após tersanado esse meu ímpeto de escrever, é dormir. Amanhã, mais uma vez, estarei naminha rotina, na qual tento inserir um pouco de dinamismo com a realização deatividades... várias atividades.
Caso tenha muitos erros degramática nesta postagem, desde já peço desculpas. Em nenhum momento me preocupeiem fazer correções. As únicas correções que desejo fazer são a de outros erros em minha vida.
...
Fragmentos
A poeira criouforma e corpo neste quarto escuro e solitário.
Sentado eleolha para ela e treme... É o medo.
Não sabecomo reagir. Caso se levante, irá, fraco, tombar.
Sabe tambémque suas lágrimas de dor vão secar e que seu choro seco vai gritar e...
Pedir ajuda
... Talvez
Precisava decomida e de bebida. Há dias estava ali esperando alguém para ajudá-lo.
Precisava dealguém, de alguém... por perto.
São muitasas suas paixões e seus amores.
Dentro deuma amizade quiçá esteja seu maior amor inatingível e impossível.
Quem sabe nãosejam o inatingível e o impossível os caminhos para a sua felicidade.
Quem sabenão seja você o seu refúgio.
!
Talvez vocênão goste, não é?
Ele não se importa.Seu olhar firme e estático mostra sua frieza.
É um frioperigoso, de pensamentos algumas vezes sombrio.
Não gostariade tê-los.
Mas têm...enraivece-se por isso e martiriza-se.
?
Pensa namorte às vezes.
Porém, não aquer.
Se pudesse,assassinava a Morte.
Porém, nãoquer.
E o que elequer? O futuro
Seu futuro.
Quem sabe, onosso.
Monossílabos da Amizade
Olho para o teto deste quarto e vejo uma penumbra amarga e triste. Não fico assustado, pois, às vezes, não sei se é o teto ou o espelho da minha alma... E é esta dubitável questão que me acalanta, um pouco, o coração... Coração inquieto, inseguro, incansável... Buscando não ser infeliz.
Parei um instante, com os olhos fixos não mais no teto, mas no chão. Pensativo, eles viam algo que não era mais o piso do quarto, ou a formiga a caminhar sobre este... Viam passar, naquele momento nostálgico, as minhas mais felizes lembranças e as que, de tão tristes, faziam lágrimas brotar e molhar aquele chão invisível.
Meus pés, irresolutos, recebiam daquelas os resquícios da tristeza que tocava aquele que meus olhos viam invisíveis. E, quando isso acontecia, percebi a ausência de alguém com quem eu pudesse compartilhar os dias sofríveis pelos quais passei e pelos quais, provavelmente, virei a passar.
Solidão? Talvez. Eu que sempre gostei de manter monólogos calorosos, principalmente em momentos tristes como esse, precisava conversar com alguém, pois eu já não me bastava... Não queria mais ouvir meus próprios conselhos.
Comecei a me perguntar: "Com quem eu poderia compartilhar palavras tão decrépitas? Quem seria a pessoa? Quem as escutaria e as transformaria em piadas, piadas que tirariam do meu rosto o já, para mim, desconhecido sorriso?” Estas questões me mergulhavam novamente em meus monólogos fervorosos, perigosos vilões da minha trépida alma. A resposta não demorou a se evidenciar. Quando o telefone tocou de forma intrusa e irritante a quebrar o silêncio do ambiente que disfarçava a guerra barulhenta que havia em mim, o simples cumprimento mecânico e peculiar da ligação me mostrou que eu já sabia a resposta.
Amigos.
E um deles estava do outro lado da linha.
Foi então que, imperceptivelmente, sorri. O silêncio que me envolvia e a penumbra que vi desapareceram. Circundavam-me alguns objetos e livros. Meus olhos, agora irrequietos, pareciam mais vivos e não mais cabisbaixos. Agora se dirigiam em direção à porta, ao horizonte, certos da solidez que possuíam e da veracidade da sua existência. Sabiam para onde ir e com quem poderiam contar...
... Finalmente feliz, disse: “Diz!”.
Meu amigo, no auge de sua calma que, pelo simples fato de tê-la, já transmite uma mensagem de que tudo tem solução e de que tudo acabará bem, responde com uma palavra que aparenta não conter em si todo o significado que, para mim, ela comporta: “Opa!”.
Monossílabos... Não os menospreze, pois, a partir deles, compreendi o verdadeiro significado de amizade.
Parei um instante, com os olhos fixos não mais no teto, mas no chão. Pensativo, eles viam algo que não era mais o piso do quarto, ou a formiga a caminhar sobre este... Viam passar, naquele momento nostálgico, as minhas mais felizes lembranças e as que, de tão tristes, faziam lágrimas brotar e molhar aquele chão invisível.
Meus pés, irresolutos, recebiam daquelas os resquícios da tristeza que tocava aquele que meus olhos viam invisíveis. E, quando isso acontecia, percebi a ausência de alguém com quem eu pudesse compartilhar os dias sofríveis pelos quais passei e pelos quais, provavelmente, virei a passar.
Solidão? Talvez. Eu que sempre gostei de manter monólogos calorosos, principalmente em momentos tristes como esse, precisava conversar com alguém, pois eu já não me bastava... Não queria mais ouvir meus próprios conselhos.
Comecei a me perguntar: "Com quem eu poderia compartilhar palavras tão decrépitas? Quem seria a pessoa? Quem as escutaria e as transformaria em piadas, piadas que tirariam do meu rosto o já, para mim, desconhecido sorriso?” Estas questões me mergulhavam novamente em meus monólogos fervorosos, perigosos vilões da minha trépida alma. A resposta não demorou a se evidenciar. Quando o telefone tocou de forma intrusa e irritante a quebrar o silêncio do ambiente que disfarçava a guerra barulhenta que havia em mim, o simples cumprimento mecânico e peculiar da ligação me mostrou que eu já sabia a resposta.
Amigos.
E um deles estava do outro lado da linha.
Foi então que, imperceptivelmente, sorri. O silêncio que me envolvia e a penumbra que vi desapareceram. Circundavam-me alguns objetos e livros. Meus olhos, agora irrequietos, pareciam mais vivos e não mais cabisbaixos. Agora se dirigiam em direção à porta, ao horizonte, certos da solidez que possuíam e da veracidade da sua existência. Sabiam para onde ir e com quem poderiam contar...
... Finalmente feliz, disse: “Diz!”.
Meu amigo, no auge de sua calma que, pelo simples fato de tê-la, já transmite uma mensagem de que tudo tem solução e de que tudo acabará bem, responde com uma palavra que aparenta não conter em si todo o significado que, para mim, ela comporta: “Opa!”.
Monossílabos... Não os menospreze, pois, a partir deles, compreendi o verdadeiro significado de amizade.
Autores: Anderson Carlos e Roberto Ruiz
Ontem e hoje
Busquei no teu jeito simples o meu jeito desajeitado e
Reencontrei em ti o meu sorriso fugitivo.
Uni a minha complexa forma de ver a vida às
Nuances da tua forma de me olhar e
Abracei-me ao tempo na ilusória tentativa de detê-lo.
Então...
Apaixonei-me por ti.
Nos teus braços construí os meus planos noturnos de felicidade e,
De beijo em beijo, desenhei com destreza a
Esperança diária de te ter ao meu lado por mais um dia.
Reinventei-me contigo, mesmo sem ser criativo e
Senti uma saudade absurda na simples iminência da tua ausência.
Observando o hoje e analisando o ontem, percebi que
Nada mais faz sentido sem ti.
Que os verbos no passado sejam lidos como a representação fiel da mais pura sinceridade. Entretanto, que não haja hesitação na tentativa de uma releitura os alterando para o presente, pois o sentido não se perde e nem tão pouco a sinceridade dessas linhas e entrelinhas.
Reencontrei em ti o meu sorriso fugitivo.
Uni a minha complexa forma de ver a vida às
Nuances da tua forma de me olhar e
Abracei-me ao tempo na ilusória tentativa de detê-lo.
Então...
Apaixonei-me por ti.
Nos teus braços construí os meus planos noturnos de felicidade e,
De beijo em beijo, desenhei com destreza a
Esperança diária de te ter ao meu lado por mais um dia.
Reinventei-me contigo, mesmo sem ser criativo e
Senti uma saudade absurda na simples iminência da tua ausência.
Observando o hoje e analisando o ontem, percebi que
Nada mais faz sentido sem ti.
Que os verbos no passado sejam lidos como a representação fiel da mais pura sinceridade. Entretanto, que não haja hesitação na tentativa de uma releitura os alterando para o presente, pois o sentido não se perde e nem tão pouco a sinceridade dessas linhas e entrelinhas.
Lua Cheia II
Seu semblante mudou. Seu pequeno sorriso sumiu. Voltou à realidade, à sua perturbante realidade. Dirigiu-se à porta e abriu-a com um gesto impaciente. Era seu irmão que o olhava com um olhar pedinte, cansado.
- O que é? - perguntou num tom grave
- Nada... só queria saber se tu tem um lápis que me empreste
- Não sei, espera aí... - abriu o estojo novamente e deste pegou um lápis desgastado, bem velho, em que não havia mais espaço para segurar firme com as mãos
- Pegue, é o único que tenho
- Tudo bem... obrigado
- Tá - e fechou a porta antes do seu pequeno irmão completar a palavra de agradecimento
Incomodou-se. Começou a indagar-se o porquê de agir tão duramente. Gestos grosseiros e frases arrogantes, curtas... sem sentimentos. Fitava o chão, cabisbaixo, e via seus pés descalços, livres, sujos. Não cuidava bem deles. Algumas imagens de seu passado o tragaram para uma sala escura, solitária. Sentado num banco, no centro da sala, ele estava completamente absorto. De repente, uma grande luz, projetada na parede defronte dele, exibia uma forte claridade que, aos poucos, teve sua intensidade diminuída. Ele havia protegido a visão daquela com o seu braço direito. Quando notou a suavidade na qual a brilho estava mergulhado, devagar desvelou a vista.
Na grande tela, algumas cenas aleatórias de sua vida perpassavam-no. Elas fizeram-no, subitamente, derramar lágrimas, cujas gotas, uma a uma, iam iluminando e abrindo o caminho que deveria seguir. Era uma trilha nova, diferente, mais frondosa e viva. Esta estava na grande tela. Só ela, agora, a única cena que se mostrava. E ele continuava sentado, porém numa sala mais iluminada pelas gotas doridas e arrependidas, as quais, sem expressar qualquer palavra, lutavam para ajudá-lo a seguir em frente.
Levantou-se e começou a caminhar em direção a envolvente tela. Para adentrar à nova vereda. Precisava, somente, de um movimento: o de abrir uma porta. Ao se aproximar, sentiu o peso desta. Emitia uma onda repulsiva, como se quisesse testar a força dele. Respondia fincando seu pés no chão, mais limpos. Segurou a maçaneta, fechou os olhos e... toc, toc, toc!!
Ao abrir os olhos, espantara-se. Tremia. Tinha-se desenhado em sua face um semblante pungente. Tentou em vão retirar o peso mofino de suas costas. Descerrou a porta. Era seu irmão novamente. Veio devolver o inútil lápis.
- Tá tudo bem? - indagou o irmão surpreso, segurando o lápis
- Sim, sim... tá tudo bem - respondeu desconcertado ele
- Então tá... o lápis
- Tá...
E fechou a porta. Ainda segurando a maçaneta, cerrou a vista e num movimento impulsivo e inesperado, largou o lápis, saiu do quarto e chamou o irmão com voz trêmula. Ao avistar este, ficou um tempo parado, hesitante. Não compreendia muito bem a loucura das suas sensações, das suas vontades há tanto tempo comprimidas. Não era necessário a compreensão. Era sim, necessária, a ação, a atitude.
Caminhou mais tranquilo na direção de seu irmão e o abraçou. Suas pungentes atitudes de outrora dispersavam-se em pranto incessante. Pediam desculpas e um recomeço na nova vereda.
A porta, cuja abertura dava acesso à natureza bela do recomeço, não atirava mais suas ondas repelentes. Sentia agora a calmaria. Sentia-se mais seguro, mais robusto. Não quis olhar para trás. Seguiu em frente a vereda frondosa, ele e seu irmão, ambos esbanjando o mais sereno, inconstante e bonito sentimento: a Felicidade. E para a lua cheia esta jorrava seu clamor fulvo, cujo reflexo tentaria distribuir, para outras pessoas cobertas pelo rebuço negro e frio, os sãos e bons sentimentos tocados por ele, que deitado estava, em seu quarto, sonhando em como concretizar seus sonhos, que pareciam tão impossíveis de alcançar.
E a lua cheia ainda o guardava... toc toc toc!
- O que é? - perguntou num tom grave
- Nada... só queria saber se tu tem um lápis que me empreste
- Não sei, espera aí... - abriu o estojo novamente e deste pegou um lápis desgastado, bem velho, em que não havia mais espaço para segurar firme com as mãos
- Pegue, é o único que tenho
- Tudo bem... obrigado
- Tá - e fechou a porta antes do seu pequeno irmão completar a palavra de agradecimento
Incomodou-se. Começou a indagar-se o porquê de agir tão duramente. Gestos grosseiros e frases arrogantes, curtas... sem sentimentos. Fitava o chão, cabisbaixo, e via seus pés descalços, livres, sujos. Não cuidava bem deles. Algumas imagens de seu passado o tragaram para uma sala escura, solitária. Sentado num banco, no centro da sala, ele estava completamente absorto. De repente, uma grande luz, projetada na parede defronte dele, exibia uma forte claridade que, aos poucos, teve sua intensidade diminuída. Ele havia protegido a visão daquela com o seu braço direito. Quando notou a suavidade na qual a brilho estava mergulhado, devagar desvelou a vista.
Na grande tela, algumas cenas aleatórias de sua vida perpassavam-no. Elas fizeram-no, subitamente, derramar lágrimas, cujas gotas, uma a uma, iam iluminando e abrindo o caminho que deveria seguir. Era uma trilha nova, diferente, mais frondosa e viva. Esta estava na grande tela. Só ela, agora, a única cena que se mostrava. E ele continuava sentado, porém numa sala mais iluminada pelas gotas doridas e arrependidas, as quais, sem expressar qualquer palavra, lutavam para ajudá-lo a seguir em frente.
Levantou-se e começou a caminhar em direção a envolvente tela. Para adentrar à nova vereda. Precisava, somente, de um movimento: o de abrir uma porta. Ao se aproximar, sentiu o peso desta. Emitia uma onda repulsiva, como se quisesse testar a força dele. Respondia fincando seu pés no chão, mais limpos. Segurou a maçaneta, fechou os olhos e... toc, toc, toc!!
Ao abrir os olhos, espantara-se. Tremia. Tinha-se desenhado em sua face um semblante pungente. Tentou em vão retirar o peso mofino de suas costas. Descerrou a porta. Era seu irmão novamente. Veio devolver o inútil lápis.
- Tá tudo bem? - indagou o irmão surpreso, segurando o lápis
- Sim, sim... tá tudo bem - respondeu desconcertado ele
- Então tá... o lápis
- Tá...
E fechou a porta. Ainda segurando a maçaneta, cerrou a vista e num movimento impulsivo e inesperado, largou o lápis, saiu do quarto e chamou o irmão com voz trêmula. Ao avistar este, ficou um tempo parado, hesitante. Não compreendia muito bem a loucura das suas sensações, das suas vontades há tanto tempo comprimidas. Não era necessário a compreensão. Era sim, necessária, a ação, a atitude.
Caminhou mais tranquilo na direção de seu irmão e o abraçou. Suas pungentes atitudes de outrora dispersavam-se em pranto incessante. Pediam desculpas e um recomeço na nova vereda.
A porta, cuja abertura dava acesso à natureza bela do recomeço, não atirava mais suas ondas repelentes. Sentia agora a calmaria. Sentia-se mais seguro, mais robusto. Não quis olhar para trás. Seguiu em frente a vereda frondosa, ele e seu irmão, ambos esbanjando o mais sereno, inconstante e bonito sentimento: a Felicidade. E para a lua cheia esta jorrava seu clamor fulvo, cujo reflexo tentaria distribuir, para outras pessoas cobertas pelo rebuço negro e frio, os sãos e bons sentimentos tocados por ele, que deitado estava, em seu quarto, sonhando em como concretizar seus sonhos, que pareciam tão impossíveis de alcançar.
E a lua cheia ainda o guardava... toc toc toc!
Lua Cheia I
Mas era tão difícil acreditar. As pessoas podem dizer o quanto quiserem: "Se você quer realizar um sonho, basta querer". Basta querer... será?
Ele não podia simplesmente desvincular sua vida particular da vida de seus familiares... "Queria" - pensava. Alguns segundos depois, recriminava-se pelo que dissera, mesmo sabendo que talvez fosse mais fácil concretizar os seus objetivos sem ter que se preocupar com a sua família. Atender um ou outro membro desta sem ganhar absolutamente nada em troca, a não ser o tão fácil e simples: "Obrigado". Às vezes tentava esquecer todos esses devaneios, apenas seguir em frente, realizar as suas atividade diárias e pronto. Contudo, não conseguia.
Deseja a solidão como sua companheira; sair da dependência paterna e residir com aquela. Arrumaria seus pertences a seu modo, sem interferências. Ganharia a noite com os amigos sem ter a constante ânsia em saber as horas. Viveria segundo suas regras sob regras maiores envoltas na sociedade.Imaginava-se dono de si, sobre o total controle de suas ações.
Tinha-se posto na cama às 13:20. Havia planejado iniciar os estudos de Matemática às 16. Porém, várias palavras e imagens batiam à porta de seus vislumbres, tão matematicamente incalculáveis e inesperados. O tempo já denunciava a chegada da noite que traria consigo algumas belas estrelas e a lua cheia. Gostava da lua assim. Poderia fitá-la e tentar visualizar as crateras de seu corpo amarelado e mergulhar acordado em sonhos inconclusos. Mudara de ideia quanto à Matemática. Decidira ler um livro. O ambiente estava surpreendentemente tranquilo. Os seus irmãos e o seu pai desapareceram. Ficou feliz um instante, mas logo seu semblante mudara, adquirindo a indesejável aparência da melancolia.
Levantou-se da cama e sentou-se na mesa localizada num canto de seu pequeno quarto. Abriu o estojo e sacou de dentro uma caneta azul. Em cima da mesa tinha um caderno, onde escrevia textos diversos, onde transbordava intrépido os seus sentimentos completamente despidos. Jorrava as mais profundas sensações adquiridas ao longo do dia, ao longo da semana, ao longo dos anos. O tempo não importava. Entretanto, nada escreveu. Guardou a caneta azul e ficou a apreciar a beleza hipnótica da lua cheia, que já se mostrava impudica aos olhares graciosos e desregrados dos que se deixam enlear pelas coisas da natureza.
Esquecera-se do livro que ia ler. Nada mais continha significado relevante. Aquela imagem tragou-lhe a sensatez e a razão. Viajava. Achava-se em algum lugar em que, com certeza, voava, pois seu rosto exibia tão singelo um sorriso sem mostrar os dentes frontais. Só um sorriso, que lhe recobrou memórias da criança adormecida em seu âmago, despertada à luz daquele fulgor...
Ele não podia simplesmente desvincular sua vida particular da vida de seus familiares... "Queria" - pensava. Alguns segundos depois, recriminava-se pelo que dissera, mesmo sabendo que talvez fosse mais fácil concretizar os seus objetivos sem ter que se preocupar com a sua família. Atender um ou outro membro desta sem ganhar absolutamente nada em troca, a não ser o tão fácil e simples: "Obrigado". Às vezes tentava esquecer todos esses devaneios, apenas seguir em frente, realizar as suas atividade diárias e pronto. Contudo, não conseguia.
Deseja a solidão como sua companheira; sair da dependência paterna e residir com aquela. Arrumaria seus pertences a seu modo, sem interferências. Ganharia a noite com os amigos sem ter a constante ânsia em saber as horas. Viveria segundo suas regras sob regras maiores envoltas na sociedade.Imaginava-se dono de si, sobre o total controle de suas ações.
Tinha-se posto na cama às 13:20. Havia planejado iniciar os estudos de Matemática às 16. Porém, várias palavras e imagens batiam à porta de seus vislumbres, tão matematicamente incalculáveis e inesperados. O tempo já denunciava a chegada da noite que traria consigo algumas belas estrelas e a lua cheia. Gostava da lua assim. Poderia fitá-la e tentar visualizar as crateras de seu corpo amarelado e mergulhar acordado em sonhos inconclusos. Mudara de ideia quanto à Matemática. Decidira ler um livro. O ambiente estava surpreendentemente tranquilo. Os seus irmãos e o seu pai desapareceram. Ficou feliz um instante, mas logo seu semblante mudara, adquirindo a indesejável aparência da melancolia.
Levantou-se da cama e sentou-se na mesa localizada num canto de seu pequeno quarto. Abriu o estojo e sacou de dentro uma caneta azul. Em cima da mesa tinha um caderno, onde escrevia textos diversos, onde transbordava intrépido os seus sentimentos completamente despidos. Jorrava as mais profundas sensações adquiridas ao longo do dia, ao longo da semana, ao longo dos anos. O tempo não importava. Entretanto, nada escreveu. Guardou a caneta azul e ficou a apreciar a beleza hipnótica da lua cheia, que já se mostrava impudica aos olhares graciosos e desregrados dos que se deixam enlear pelas coisas da natureza.
Esquecera-se do livro que ia ler. Nada mais continha significado relevante. Aquela imagem tragou-lhe a sensatez e a razão. Viajava. Achava-se em algum lugar em que, com certeza, voava, pois seu rosto exibia tão singelo um sorriso sem mostrar os dentes frontais. Só um sorriso, que lhe recobrou memórias da criança adormecida em seu âmago, despertada à luz daquele fulgor...
Frágeis Asas
Olhava, deitado no sofá, para o teto, atento, a vislumbrar algo, a visualizar cenas de sua vida que passava tão rápida... tão lentamente. Hoje, mais rápida do que lentamente.
Lembrava da sua tragédia, a qual colocou uma barreira, um muro que limita algumas de suas vontades. Ele transpõe aquele, pelo menos tenta, pois só assim sentirá que realmente está vivendo.
Está vivendo, mas sua vida...
... A sua vida avista a morte a cada passo ilegal na realização de seus desejos proibidos.
Olhava, deitado num jardim, o céu azul, limpo... e percebeu que não importava o quanto a sua vida diminuía, pois ao ver aquela vastidão, decidiu voar o mais alto possível com as suas frágeis asas e alcançar os seus mais diversos sonhos...
Lembrava da sua tragédia, a qual colocou uma barreira, um muro que limita algumas de suas vontades. Ele transpõe aquele, pelo menos tenta, pois só assim sentirá que realmente está vivendo.
Está vivendo, mas sua vida...
... A sua vida avista a morte a cada passo ilegal na realização de seus desejos proibidos.
Olhava, deitado num jardim, o céu azul, limpo... e percebeu que não importava o quanto a sua vida diminuía, pois ao ver aquela vastidão, decidiu voar o mais alto possível com as suas frágeis asas e alcançar os seus mais diversos sonhos...
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Olhei para um lado, olhei para o outro Não vi ninguém Olhei para a sala, vi meus irmãos Não vi ninguém Olhei para o corredor, vi meus pais N...
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Quatro e meia da manhã. Acordo alvoroçado, ainda, sob a escuridão pálida da madrugada silenciosa, aconchegante, chamativa ao sono parcialmen...
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Eu já não sei como olhar para você. Simplesmente, embriagou-me Com seus olhos que tecem Devagar a divagação de um sentimento: A vontade de t...