Monossílabos da Amizade

on quinta-feira, 21 de julho de 2011
Olho para o teto deste quarto e vejo uma penumbra amarga e triste. Não fico assustado, pois, às vezes, não sei se é o teto ou o espelho da minha alma... E é esta dubitável questão que me acalanta, um pouco, o coração... Coração inquieto, inseguro, incansável... Buscando não ser infeliz.
Parei um instante, com os olhos fixos não mais no teto, mas no chão. Pensativo, eles viam algo que não era mais o piso do quarto, ou a formiga a caminhar sobre este... Viam passar, naquele momento nostálgico, as minhas mais felizes lembranças e as que, de tão tristes, faziam lágrimas brotar e molhar aquele chão invisível.
Meus pés, irresolutos, recebiam daquelas os resquícios da tristeza que tocava aquele que meus olhos viam invisíveis. E, quando isso acontecia, percebi a ausência de alguém com quem eu pudesse compartilhar os dias sofríveis pelos quais passei e pelos quais, provavelmente, virei a passar.
Solidão? Talvez. Eu que sempre gostei de manter monólogos calorosos, principalmente em momentos tristes como esse, precisava conversar com alguém, pois eu já não me bastava... Não queria mais ouvir meus próprios conselhos.
Comecei a me perguntar: "Com quem eu poderia compartilhar palavras tão decrépitas? Quem seria a pessoa? Quem as escutaria e as transformaria em piadas, piadas que tirariam do meu rosto o já, para mim, desconhecido sorriso?” Estas questões me mergulhavam novamente em meus monólogos fervorosos, perigosos vilões da minha trépida alma. A resposta não demorou a se evidenciar. Quando o telefone tocou de forma intrusa e irritante a quebrar o silêncio do ambiente que disfarçava a guerra barulhenta que havia em mim, o simples cumprimento mecânico e peculiar da ligação me mostrou que eu já sabia a resposta.
Amigos.
E um deles estava do outro lado da linha.
Foi então que, imperceptivelmente, sorri. O silêncio que me envolvia e a penumbra que vi desapareceram. Circundavam-me alguns objetos e livros. Meus olhos, agora irrequietos, pareciam mais vivos e não mais cabisbaixos. Agora se dirigiam em direção à porta, ao horizonte, certos da solidez que possuíam e da veracidade da sua existência. Sabiam para onde ir e com quem poderiam contar...
... Finalmente feliz, disse: “Diz!”.
Meu amigo, no auge de sua calma que, pelo simples fato de tê-la, já transmite uma mensagem de que tudo tem solução e de que tudo acabará bem, responde com uma palavra que aparenta não conter em si todo o significado que, para mim, ela comporta: “Opa!”.
Monossílabos... Não os menospreze, pois, a partir deles, compreendi o verdadeiro significado de amizade.



Autores: Anderson Carlos e Roberto Ruiz

2 comentários:

Ester disse...

ahh que incrível!quero ler um texto em ceares xP. nada como o amparo acalentador que só encontramos nessas pessoas cuja a marca em nossas vidas é tão presente e tangível que torna-se eterna que são aqueles que acabamos denominando amigos. *_* lindo texto.

Roberta Galdino disse...

oi...
que legal seu blog
gostei muito!
Estou seguindo

me visita?

bjos

http://rgqueen.blogspot.com/

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