A surpresa pelo inesperado, pelo, antes, impossível
Nos abate implacavelmente com seu arco sobranceiro
A atemorizar, até mesmo, a vileza do carcereiro,
Quem vigia as nossas recônditas vontades sob um Véu
Delicado, leve, tímido, sem demonstrar o seu fel,
Que só é descoberto e atingido pelo olhar certeiro
Do, controlado, estático e espantado, Arqueiro,
Quem, precisamente, descortinou e provou do mel.
Como as feras, agora, trêfegas, controlar?
Será possível mantê-las calmas e acorrentadas?
Até onde quer, do maduro e pesado Véu, o desenrolar?
O que vemos são somente, imagens policromáticas seladas
Com as quais, diariamente, convivemos a pendular
Entre as condições reais e oníricas, cuidadosamente, cerradas.
Só Elogios
Escrito por
Bob Ru
às
13:08
Só Elogios não guiam, não exibem!
Só Elogios não constroem, não ajudam!
Só Elogios não acertam, não saúdam!
Só Elogios, talvez, apenas inibem!
Só Elogios fazem-me acreditar que está bem.
Só Elogios fazem-me pensar: “me acudam!”.
Só Elogios, de quem vocês pensam que cuidam?
Só Elogios, o que, deveras, suas palavras sabem?
Só Elogios, estou cansado de dizê-los.
Só Elogios, de tanto dizê-los estou fatigado.
Só Elogios parecem não querer conte-los!
Só Elogios, espero que tenham mudado.
Só Elogios, espero que entendam meus apelos!
Só Elogios, apresento a vocês o Enfado.
Só Elogios não constroem, não ajudam!
Só Elogios não acertam, não saúdam!
Só Elogios, talvez, apenas inibem!
Só Elogios fazem-me acreditar que está bem.
Só Elogios fazem-me pensar: “me acudam!”.
Só Elogios, de quem vocês pensam que cuidam?
Só Elogios, o que, deveras, suas palavras sabem?
Só Elogios, estou cansado de dizê-los.
Só Elogios, de tanto dizê-los estou fatigado.
Só Elogios parecem não querer conte-los!
Só Elogios, espero que tenham mudado.
Só Elogios, espero que entendam meus apelos!
Só Elogios, apresento a vocês o Enfado.
Cansaço e Sonho
Quase sempre encaro esta situação
Sobre a qual já disse em textos anteriores
O quão grande é o penar das dores,
O cansaço, o saber da inibição.
Tão pérfida chega a ser tal inibição!
E o cansaço? Deveria se encher de temores.
Assim, quem sabe, cheio de horrores
Não desapareceria de nossas vidas então?!
Ah! Como seria agradável sentir
A leveza advinda de sua ausência.
Como seria agradável consentir
Este transpassar bondoso da carícia
Que em nós, sem cobrar, sem mentir,
Derrama, gentil, o líquido vital que propicia...
... Ao homem, o prazer, o sonho, o sono.
Quando quererás voltar desta viagem
Repleta de desejos, realizações... miragem...
Quando quererás pousar deste vôo... eterno?
Infelizmente, não é suficientemente terno
A ponto de nos ceder os louros da aragem
Sobre a qual, diariamente, laboram, agem
E produzem o Cálice para voltarmos ao terreno
O Sereno, o Espanto, nos surpreende
Com seu toque a deixar-nos suados, pálidos
Em uma atmosfera seca, fria, que prende.
Mesmo livrando-nos do atordoar calados,
Perguntamos, quiçá, se isto não ascende
O ímpeto, a coragem, agora... afogueados?
Sobre a qual já disse em textos anteriores
O quão grande é o penar das dores,
O cansaço, o saber da inibição.
Tão pérfida chega a ser tal inibição!
E o cansaço? Deveria se encher de temores.
Assim, quem sabe, cheio de horrores
Não desapareceria de nossas vidas então?!
Ah! Como seria agradável sentir
A leveza advinda de sua ausência.
Como seria agradável consentir
Este transpassar bondoso da carícia
Que em nós, sem cobrar, sem mentir,
Derrama, gentil, o líquido vital que propicia...
... Ao homem, o prazer, o sonho, o sono.
Quando quererás voltar desta viagem
Repleta de desejos, realizações... miragem...
Quando quererás pousar deste vôo... eterno?
Infelizmente, não é suficientemente terno
A ponto de nos ceder os louros da aragem
Sobre a qual, diariamente, laboram, agem
E produzem o Cálice para voltarmos ao terreno
O Sereno, o Espanto, nos surpreende
Com seu toque a deixar-nos suados, pálidos
Em uma atmosfera seca, fria, que prende.
Mesmo livrando-nos do atordoar calados,
Perguntamos, quiçá, se isto não ascende
O ímpeto, a coragem, agora... afogueados?
Saudade
Sob um Céu preguiçoso, indeciso
Entre as gotas de chuva e o clarão do sol
Caminhei meio sem rumo com o Sorriso
Em um asfalto, falso, com o Lençol
Que cobria impiedoso as intenções
Vacilantes e titubeantes
Perante as escancaradas insinuações
Das naturezas errantes
Nas quais mergulhava,
Tímido e trôpego,
Para saber, curioso, como se originava
O coração altivo, curto e cego.
Por mais que eu insista,
Não consigo descobrir
O coração sobre cuja pista
Teimo pisar, explorar... cobrir
Eu vou com o Lençol, manchado
De um vermelho capcioso, forte,
Que tentava dizer, fraco, pesado
Aos homens sem sorte:
"Não verás nem a chuva nem o fulgor do sol
Nem os homens a confessar sob a tempestade.
Verás esta fisgar certeiro com seu anzol
As almas ébrias do itinerário da Saudade".
Entre as gotas de chuva e o clarão do sol
Caminhei meio sem rumo com o Sorriso
Em um asfalto, falso, com o Lençol
Que cobria impiedoso as intenções
Vacilantes e titubeantes
Perante as escancaradas insinuações
Das naturezas errantes
Nas quais mergulhava,
Tímido e trôpego,
Para saber, curioso, como se originava
O coração altivo, curto e cego.
Por mais que eu insista,
Não consigo descobrir
O coração sobre cuja pista
Teimo pisar, explorar... cobrir
Eu vou com o Lençol, manchado
De um vermelho capcioso, forte,
Que tentava dizer, fraco, pesado
Aos homens sem sorte:
"Não verás nem a chuva nem o fulgor do sol
Nem os homens a confessar sob a tempestade.
Verás esta fisgar certeiro com seu anzol
As almas ébrias do itinerário da Saudade".
Descubra
Moramos na posição de confronto. A minha casa olhava a dele, sempre, séria. E a dele, para não perder nessa disputa, retribuía o olhar desafiador. Nas duas havia um pequeno jardim que separava a porta de acesso à sala da portinhola do muro baixo e sem proteção, cuja função era apenas a de dar a falsa impressão de segurança. E era próximo desta portinhola que me sentava diariamente, na calçada, numa cadeira preguiçosa, a observar os transeuntes. Contudo, intrigava-me o garoto da casa da frente. Diria que tem a idade dos indivíduos imberbes, insanos, indomesticáveis, indomáveis. Indomáveis? Equivoco-me neste ponto. Se fossem isto, não se submeteriam às ordens dos seus progenitores e fariam o que lhes dessem vontade. Poderiam até mesmo sair das regras caseiras para viverem suas próprias. Suas próprias? Lamento dizer-lhe que não poderá alcançar isto enquanto vivermos nesta sociedade regrada. Pois é, voltando ao que realmente interessa. Desculpe-me, às vezes perco o foco. Acredito eu que seja normal. Sim, continuando sobre o garoto. A única coisa sabida por mim é o fato dele ser filho único.
Vou cedo lá para fora, por volta das seis, ver os estudantes, os pais, os trabalhadores, os mendigos e você passarem. Procuro observar cautelosamente cada um e imaginar. Devaneio muito. Levanto diversas suposições de como será a vida de tal indivíduo. É... eu sei que não tem como eu saber meu caro, minha cara, mas é divertido. O tempo passa um pouco mais rápido do que de costume, ou mais lento. Isto vai depender de como você quer que o tempo passe. Sinto-me um pouco poderoso por ter a leve sensação de controlá-lo. Dentre todos os passantes, aguardava ansioso ele, o garoto. Achava estranho. Por que passava a maior parte do meu tempo levantando aquelas suposições sobre ele? Talvez fosse seu jeito de vestir-se, o jeito de andar... não, não. Não é isso. As características externas não são os fatores mais determinantes neste caso, já que ele é simples, sem estilo. Via-o sempre sério, sem expressão, sem emoção. Da mesma maneira que saia de casa, entrava na casa. Todo dia era igual. Jamais escutei alguma discussão vindo da sua casa. Quiçá, não gostava de ir muito longe.
Seus pais... nunca os vi. Certo dia, cheguei a pensar que o garoto morava só. O que me fez ter certeza que não, foi o carro daqueles saindo do lar aparentemente, incessantemente tranqüilo. Uma vez imaginei o carro como sendo o representante dos pais, mas logo retirei tal pensar, pois eles não seriam indiferentes com seu filho, ou seriam? Esse mundo é tão louco... vai que ele, o carro, não seja indiferente, e sim afável. Uma vez, eu vi-o usufruir do veículo, mesmo não tendo a carteira de motorista. Queria de alguma forma chamar a atenção dos seus colegas e amigos distantes. Seus inimigos eram mais seus amigos do que os próprios amigos, pois eles, sem nenhum ressentimento e medo diziam o quão ridículo era o carro, o quão insignificante era a sua atitude impensada. Eles eram sinceros, seus inimigos, e ele, o garoto, não sabia disso. Deu-me vontade de chegar até ele e dizer, mas preferi ficar no meu posto de observador. É melhor que a vida e o tempo mostrem a ele o que sua cega e insensível alma não consegue ver e sentir.
Certo dia, à noite, ao aproximar-se da portinhola do muro, parou seu caminhar, olhou para baixo e avistou seu cadaço direito desamarrado. Abaixou-se, então, para ajeitar aquele desalinhamento. Ficou olhando fixamente aquilo por alguns minutos após ter amarrado, provavelmente pensando nas horas, nos minutos ou poucos minutos que eles estavam naquele estado não uniforme. Achei deveras estranho, assim como ele devia me achar. Afinal de contas, da mesma maneira como eu o observava ele poderia me observar. Mas eu não quero me analisar. Tenho medo de descobrir que não sou quem eu realmente penso. Tenho medo de descobrir um humano insano e incrédulo por detrás dessa máscara perscrutadora de almas. Tenho medo de descobrir que não posso ver estas deveras. Tenho medo.
Teve um dia em que me encontrava na praça a analisar os transeuntes. Estava entediado com os mesmos tipos humanos com os quais me deparava na rua onde moro. Quis mudar, quis ver que grupos, que tipos iria ver na praça. Descobri, com isso, que o garoto ficava sentado num banquinho, lá, todo fim de tarde. Muito me intrigou tal reunião consigo mesmo, fazendo-me querer, de alguma forma, investigar sobre quais temas instigavam o começo da palestra frígida. Contudo, com esforço excessivo, logo desisti da idéia investigadora, tendo em vista que estaria desviando-me do caráter meramente observador. Preferi levantar questionamentos e destes ludibriar-me, embriagar-me. Era mais fácil. Não exigia de mim muito esforço. A única coisa a fazer era sentar, olhar e imaginar.
Continuei indo a praça. Também era a mesma coisa todos os dias, as mesmas pessoas. Vez ou outra surgia uma diferente das que estava acostumado a ver, mas sua presença parca não causava tanta interferência na configuração de pessoas que comumente freqüentavam a praça. A praça. Estava entediando-me com ela já. Não sabia para onde ir mais. Passava logo pela minha mente o tédio inevitável que surgiria em outro ambiente que não fosse a rua onde moro e a praça. Era triste sentir o peso da ociosidade e da previsão certa. Já não via rostos diferentes, mas sim rostos iguais, peças iguais, peças necessárias para se alocar em determinado ambiente e este lapidar da melhor forma.
Comecei a ter minha visão entorpecida. O garoto, para mim, não era um garoto; a casa não era mais uma casa; o carro não era mais um carro. O que era o que? Como posso não saber se a única coisa boa que faço é analisar os movimentos circundantes? Será que observava corretamente? Será que tinha conhecimento de mundo suficiente para bem interpretar aqueles movimentos? Você tem alguma pergunta ou sugestão meus caros? Não venha me dizer o tão conhecido conselho: “viva, saia dessa vida parada!”. Se viver é sair por aí fazendo coisas boas, coisas de sua vontade, então nunca vou viver de fato, já que a minha vontade estará sempre submetida a outras vontades. Talvez esses pensamentos e indagações não tenham validade alguma. Talvez estejam presentes num sonho que logo vai acabar somente.
O garoto, certo dia, fez-me a seguinte pergunta: por que não vive?
E eu respondi: e você vive?
Ele respondeu: se não vivesse, estaria morto.
Eu respondi: então estou morto?
Ele respondeu: descubra...
Comecei a olhar em minha volta. Não havia nexo no que via. Era tudo muito confuso. O garoto disse que eu estava morto. Se estou, então todos estão, já que ninguém tem a coragem de viver a vida que gostariam de viver. Ninguém não. Seria melhor dizer: são poucos aqueles que conseguem ver a trilha da verdadeira vida...
O despertador tocou. Acordei atônito. O quarto estava desarrumado. Fiquei alguns minutos com os olhos fixos no teto. Quem era esse garoto afinal?
Ao levantar-me, senti como se tivesse renascido. Senti a necessidade incontrolável de realizar ações presas dentro de mim. Decidi soltar as minhas vontades sem preocupar-me com as conseqüências. É simplesmente viver. Espero conseguir...
E o garoto? Devo agradecê-lo? Será que acordei para a vida ou será que a vida me acordou para a morte?
Descubra...
Vou cedo lá para fora, por volta das seis, ver os estudantes, os pais, os trabalhadores, os mendigos e você passarem. Procuro observar cautelosamente cada um e imaginar. Devaneio muito. Levanto diversas suposições de como será a vida de tal indivíduo. É... eu sei que não tem como eu saber meu caro, minha cara, mas é divertido. O tempo passa um pouco mais rápido do que de costume, ou mais lento. Isto vai depender de como você quer que o tempo passe. Sinto-me um pouco poderoso por ter a leve sensação de controlá-lo. Dentre todos os passantes, aguardava ansioso ele, o garoto. Achava estranho. Por que passava a maior parte do meu tempo levantando aquelas suposições sobre ele? Talvez fosse seu jeito de vestir-se, o jeito de andar... não, não. Não é isso. As características externas não são os fatores mais determinantes neste caso, já que ele é simples, sem estilo. Via-o sempre sério, sem expressão, sem emoção. Da mesma maneira que saia de casa, entrava na casa. Todo dia era igual. Jamais escutei alguma discussão vindo da sua casa. Quiçá, não gostava de ir muito longe.
Seus pais... nunca os vi. Certo dia, cheguei a pensar que o garoto morava só. O que me fez ter certeza que não, foi o carro daqueles saindo do lar aparentemente, incessantemente tranqüilo. Uma vez imaginei o carro como sendo o representante dos pais, mas logo retirei tal pensar, pois eles não seriam indiferentes com seu filho, ou seriam? Esse mundo é tão louco... vai que ele, o carro, não seja indiferente, e sim afável. Uma vez, eu vi-o usufruir do veículo, mesmo não tendo a carteira de motorista. Queria de alguma forma chamar a atenção dos seus colegas e amigos distantes. Seus inimigos eram mais seus amigos do que os próprios amigos, pois eles, sem nenhum ressentimento e medo diziam o quão ridículo era o carro, o quão insignificante era a sua atitude impensada. Eles eram sinceros, seus inimigos, e ele, o garoto, não sabia disso. Deu-me vontade de chegar até ele e dizer, mas preferi ficar no meu posto de observador. É melhor que a vida e o tempo mostrem a ele o que sua cega e insensível alma não consegue ver e sentir.
Certo dia, à noite, ao aproximar-se da portinhola do muro, parou seu caminhar, olhou para baixo e avistou seu cadaço direito desamarrado. Abaixou-se, então, para ajeitar aquele desalinhamento. Ficou olhando fixamente aquilo por alguns minutos após ter amarrado, provavelmente pensando nas horas, nos minutos ou poucos minutos que eles estavam naquele estado não uniforme. Achei deveras estranho, assim como ele devia me achar. Afinal de contas, da mesma maneira como eu o observava ele poderia me observar. Mas eu não quero me analisar. Tenho medo de descobrir que não sou quem eu realmente penso. Tenho medo de descobrir um humano insano e incrédulo por detrás dessa máscara perscrutadora de almas. Tenho medo de descobrir que não posso ver estas deveras. Tenho medo.
Teve um dia em que me encontrava na praça a analisar os transeuntes. Estava entediado com os mesmos tipos humanos com os quais me deparava na rua onde moro. Quis mudar, quis ver que grupos, que tipos iria ver na praça. Descobri, com isso, que o garoto ficava sentado num banquinho, lá, todo fim de tarde. Muito me intrigou tal reunião consigo mesmo, fazendo-me querer, de alguma forma, investigar sobre quais temas instigavam o começo da palestra frígida. Contudo, com esforço excessivo, logo desisti da idéia investigadora, tendo em vista que estaria desviando-me do caráter meramente observador. Preferi levantar questionamentos e destes ludibriar-me, embriagar-me. Era mais fácil. Não exigia de mim muito esforço. A única coisa a fazer era sentar, olhar e imaginar.
Continuei indo a praça. Também era a mesma coisa todos os dias, as mesmas pessoas. Vez ou outra surgia uma diferente das que estava acostumado a ver, mas sua presença parca não causava tanta interferência na configuração de pessoas que comumente freqüentavam a praça. A praça. Estava entediando-me com ela já. Não sabia para onde ir mais. Passava logo pela minha mente o tédio inevitável que surgiria em outro ambiente que não fosse a rua onde moro e a praça. Era triste sentir o peso da ociosidade e da previsão certa. Já não via rostos diferentes, mas sim rostos iguais, peças iguais, peças necessárias para se alocar em determinado ambiente e este lapidar da melhor forma.
Comecei a ter minha visão entorpecida. O garoto, para mim, não era um garoto; a casa não era mais uma casa; o carro não era mais um carro. O que era o que? Como posso não saber se a única coisa boa que faço é analisar os movimentos circundantes? Será que observava corretamente? Será que tinha conhecimento de mundo suficiente para bem interpretar aqueles movimentos? Você tem alguma pergunta ou sugestão meus caros? Não venha me dizer o tão conhecido conselho: “viva, saia dessa vida parada!”. Se viver é sair por aí fazendo coisas boas, coisas de sua vontade, então nunca vou viver de fato, já que a minha vontade estará sempre submetida a outras vontades. Talvez esses pensamentos e indagações não tenham validade alguma. Talvez estejam presentes num sonho que logo vai acabar somente.
O garoto, certo dia, fez-me a seguinte pergunta: por que não vive?
E eu respondi: e você vive?
Ele respondeu: se não vivesse, estaria morto.
Eu respondi: então estou morto?
Ele respondeu: descubra...
Comecei a olhar em minha volta. Não havia nexo no que via. Era tudo muito confuso. O garoto disse que eu estava morto. Se estou, então todos estão, já que ninguém tem a coragem de viver a vida que gostariam de viver. Ninguém não. Seria melhor dizer: são poucos aqueles que conseguem ver a trilha da verdadeira vida...
O despertador tocou. Acordei atônito. O quarto estava desarrumado. Fiquei alguns minutos com os olhos fixos no teto. Quem era esse garoto afinal?
Ao levantar-me, senti como se tivesse renascido. Senti a necessidade incontrolável de realizar ações presas dentro de mim. Decidi soltar as minhas vontades sem preocupar-me com as conseqüências. É simplesmente viver. Espero conseguir...
E o garoto? Devo agradecê-lo? Será que acordei para a vida ou será que a vida me acordou para a morte?
Descubra...
Não sei
Se pudéssemos mudar nossa história, talvez nos sentíssemos melhor. Mas isso não é possível. Somos levados pelo vento às vezes frio, perturbador, amedrontador, feliz. Ele não tem nada a ver com a minha história. Não posso culpá-lo por um erro cometido por mim. Uma decisão tomada precipitadamente, uma decisão que pode mudar a rota que vínhamos seguindo felizes, ou seria a rota que vínhamos seguindo pensando que estávamos felizes?
Acontecimentos imprevistos: são desafiadores, são como tormentos, são ferramentas usadas pela Vida para nos amadurecer. Amadurecemos. Até quem está próximo da morte, não viveu plenamente, não sabe de tudo, ainda amadurece. A morte é uma experiência não vivida. Quem sabe, apenas com ela conseguimos a maturidade máxima.
Não sei.
Decisões precipitadas: pode nos custar caro. Queremos tanto algo num instante de impulso que acabamos não pensando nas conseqüências. Isso já aconteceu contigo? Já. Poderia ter dito “já, infelizmente”, contudo, vendo o que vivi, as pessoas que conheci, os sorrisos ganhos, os sorrisos perdidos, as lágrimas de alegria, as lágrimas de tristeza, os dias conflituosos, as pequenas brigas caseiras, as grandes brigas caseiras, a convivência com os amigos, com os inimigos, se conhecer, o sol brando, a lua fraca, o sol fraco, a lua forte... sensações. Elas podem custar caro, mas também podem ser valiosas, mesmo provocando sofrimentos. Ao lado destes vemos um novo rumo, um horizonte mais largo. Eu vi, eu vejo. Você... torço para você não viver esse sofrimento. Entretanto, ele é necessário de vez em quando.
Feridas curáveis e incuráveis: sinto ter uma incurável. Diariamente tento mantê-la fechada, cicatrizada. Tem dias que não a vejo. Tem noites que ela sangra intensamente. Tem dias e noites que parece nunca ter existido. Há meses não a vejo mais. Ainda bem. Agora, trabalho-me para não fazer surgir mais delas. Faço o meu melhor. Você também deve fazer. As curáveis surgem quase sempre. Nas situações chatas, nas conversas chatas, nos comentários infelizes, nas brigas irrelevantes. Eu e você, sem querer, causamos estas pequenas feridas. Temos que ter cuidado para ela não piorar. Procuremos o mais rápido o remédio.
O remédio: se existisse um para os sentimentos machucados... seria o fim, pelo menos o meu.. Iria querer sair do mundo frio e imaturo, pois é assim que ele seria.
Não desista: de seus objetivos, por mais pesado que seja o fardo da dor incurável. Faça da vida crassamente vivida a graça da vida crassamente perdida.
Acontecimentos imprevistos: são desafiadores, são como tormentos, são ferramentas usadas pela Vida para nos amadurecer. Amadurecemos. Até quem está próximo da morte, não viveu plenamente, não sabe de tudo, ainda amadurece. A morte é uma experiência não vivida. Quem sabe, apenas com ela conseguimos a maturidade máxima.
Não sei.
Decisões precipitadas: pode nos custar caro. Queremos tanto algo num instante de impulso que acabamos não pensando nas conseqüências. Isso já aconteceu contigo? Já. Poderia ter dito “já, infelizmente”, contudo, vendo o que vivi, as pessoas que conheci, os sorrisos ganhos, os sorrisos perdidos, as lágrimas de alegria, as lágrimas de tristeza, os dias conflituosos, as pequenas brigas caseiras, as grandes brigas caseiras, a convivência com os amigos, com os inimigos, se conhecer, o sol brando, a lua fraca, o sol fraco, a lua forte... sensações. Elas podem custar caro, mas também podem ser valiosas, mesmo provocando sofrimentos. Ao lado destes vemos um novo rumo, um horizonte mais largo. Eu vi, eu vejo. Você... torço para você não viver esse sofrimento. Entretanto, ele é necessário de vez em quando.
Feridas curáveis e incuráveis: sinto ter uma incurável. Diariamente tento mantê-la fechada, cicatrizada. Tem dias que não a vejo. Tem noites que ela sangra intensamente. Tem dias e noites que parece nunca ter existido. Há meses não a vejo mais. Ainda bem. Agora, trabalho-me para não fazer surgir mais delas. Faço o meu melhor. Você também deve fazer. As curáveis surgem quase sempre. Nas situações chatas, nas conversas chatas, nos comentários infelizes, nas brigas irrelevantes. Eu e você, sem querer, causamos estas pequenas feridas. Temos que ter cuidado para ela não piorar. Procuremos o mais rápido o remédio.
O remédio: se existisse um para os sentimentos machucados... seria o fim, pelo menos o meu.. Iria querer sair do mundo frio e imaturo, pois é assim que ele seria.
Não desista: de seus objetivos, por mais pesado que seja o fardo da dor incurável. Faça da vida crassamente vivida a graça da vida crassamente perdida.
Nada
Deu-me vontade de por aqui, algumas palavras sobre nada. Sobre nada? É. Não é porque não estou em condições de falar sobre algum assunto, ou mesmo dizer como foi minha semana, sei lá. Isso não importa. Falar sobre o falar requer um pouco de esforço e vontade. Algumas pessoas, podem até dizer: “Deixa de ser besta, tem mais o que fazer não?”. Não é isso. Pelo contrário, tenho minhas atividades. É que não posso deixar de fazer isto, nem que seja irrelevante para os outros. Temos, às vezes, a mania de pensar no que os outros pensam de nós. Desculpe incluí-los. Pode ser que a mania seja só minha. Não sei se mania é a palavra mais adequada. Agora não estou em condições de procurar a melhor. Pois é, a vida é como uma roda gigante que faz giros, que sobe e desce e que nos dá a oportunidade de sentir a firmeza do solo e nos fazer ter a certeza de estarmos vivos, prontos para um recomeço, ou, então, por um azar inesperado, por um desleixo no saber viver, faz-nos deparar com a queda, lá do alto, podendo ou não ter a sorte de continuar a escrever, mesmo sem uma pena – e que pena – a nossa história.
Vai ser só isso mesmo.
No fim, não falei sobre nada, quer dizer, falei sobre alguma coisa. O nada existe? Onde quer que estejamos, sempre, há algo...
Não quero refletir numa hora dessas sobre isto.
Já estou cansado.
Já estou confuso.
Já está tarde.
A escuridão me cobre
O vento me acaricia
O sono me abraça.
Boa noite.
Vai ser só isso mesmo.
No fim, não falei sobre nada, quer dizer, falei sobre alguma coisa. O nada existe? Onde quer que estejamos, sempre, há algo...
Não quero refletir numa hora dessas sobre isto.
Já estou cansado.
Já estou confuso.
Já está tarde.
A escuridão me cobre
O vento me acaricia
O sono me abraça.
Boa noite.
Ela
Seus olhos são fortes,
Meigos e profundos,
Como a lua altaneira
Clara, suave
A iluminar, a afagar
Meu coração
São? Talvez
Seu sorriso é a alegria
Que me abraça
Que me conforta
Que me tranquiliza
Sua boca, seus lábios.
Quão doce ou severo são?
Quando irão encontrar
Os lábios meus?
Quando estes irão proferir
Intrépidos
As palavras de conquista?
Sentirá ela o que sinto?
Esperará ela atitude?
Será que apenas ver-me como amigo?
O que ela vê?
O que ela pensa?
Para esta última pergunta:
Se a soubesse,
Não levantaria
Tantos questionamentos (não é meu caro amigo?)
Que me angustiam,
Que me fazem
Tantas vezes
Desconcentrar-me.
Atividades importantes
Tornam-se pouco relevantes
Diante de tais
Interrogativas.
Um poeta disse-me
Um dia:
“Viva as perguntas,
O tempo encarregar-se-á
De respondê-las”.
O tempo...
...
Não tenho escolha
A não ser confiar
Em sua pena
A traçar flutuante,
Sem direção,
O nosso destino.
Sem direção?
Não, não
Retiro o que disse
Ele nos leva para o futuro
Incerto.
É?
Futuro ao qual
Podemos pensar em dar
Um rumo certo... rumo certo...
Para o que nós queremos,
Para o que nós sonhamos
E para o queremos que aconteça.
Frente ao tempo,
Sou demasiado pequeno,
Talvez nem pequeno seja.
Sou um impotente, um frágil ser.
Contudo,
Aqui, na minha realidade
Submisso ao tempo, mas dono
Das minhas ações presentes (será?)
Usarei toda minha energia
Sobre a minha vida.
Quem sabe não consigo
Guiar-me...
Hoje
Amanhã.
Esta
A eterna
Interrogação
Canção
Ação
...
Até...
Meigos e profundos,
Como a lua altaneira
Clara, suave
A iluminar, a afagar
Meu coração
São? Talvez
Seu sorriso é a alegria
Que me abraça
Que me conforta
Que me tranquiliza
Sua boca, seus lábios.
Quão doce ou severo são?
Quando irão encontrar
Os lábios meus?
Quando estes irão proferir
Intrépidos
As palavras de conquista?
Sentirá ela o que sinto?
Esperará ela atitude?
Será que apenas ver-me como amigo?
O que ela vê?
O que ela pensa?
Para esta última pergunta:
Se a soubesse,
Não levantaria
Tantos questionamentos (não é meu caro amigo?)
Que me angustiam,
Que me fazem
Tantas vezes
Desconcentrar-me.
Atividades importantes
Tornam-se pouco relevantes
Diante de tais
Interrogativas.
Um poeta disse-me
Um dia:
“Viva as perguntas,
O tempo encarregar-se-á
De respondê-las”.
O tempo...
...
Não tenho escolha
A não ser confiar
Em sua pena
A traçar flutuante,
Sem direção,
O nosso destino.
Sem direção?
Não, não
Retiro o que disse
Ele nos leva para o futuro
Incerto.
É?
Futuro ao qual
Podemos pensar em dar
Um rumo certo... rumo certo...
Para o que nós queremos,
Para o que nós sonhamos
E para o queremos que aconteça.
Frente ao tempo,
Sou demasiado pequeno,
Talvez nem pequeno seja.
Sou um impotente, um frágil ser.
Contudo,
Aqui, na minha realidade
Submisso ao tempo, mas dono
Das minhas ações presentes (será?)
Usarei toda minha energia
Sobre a minha vida.
Quem sabe não consigo
Guiar-me...
Hoje
Amanhã.
Esta
A eterna
Interrogação
Canção
Ação
...
Até...
Imperfeição Perfeita
Perfeição.
Qual seria o conceito mais adequado para essa palavra?
Existiria uma definição perfeita?
Dizemos que é perfeito aquilo ou aquele que reúne em si todas as qualidades possíveis.
Alguém seria capaz de apontar um defeito da perfeição?
William Maugham disse que um grave defeito da perfeição é a sua tendência em ser enfadonha.
Como viver com alguém perfeito?
Que não tem nada de errado?
Que não tem defeito físico ou psicológico?
Que nunca fez nada errado?
Não viveríamos.
Seria insuportável a convivência.
Seria impossível.
Não seria vida.
Seria tortura.
Teríamos vergonha de contar nossos erros, nossos conflitos, nossas lutas, nossas besteiras, nossos tropeços, nossas raivas e tudo o mais que nos aflige para alguém que não passa por nada disso...
Teríamos medo dessa pessoa...
Não agiríamos naturalmente na sua presença.
Simplesmente porque teríamos medo de errar diante dela.
Seria motivo suficiente para nos deixar mais do que apreensivos.
Viveríamos em uma constante pressão psicológica individual. Um conflito existencial.
Fatalmente sentiríamos inveja.
Lástima. Preconceito. Raiva. Culpa. Dor. Sofrimento.
Somos imperfeitos.
E, assim, a coexistência se tornaria insustentável.
Como ela nos entenderia já que nunca teria errado...?
Entenderia sim.
Mesmo sabendo que nunca errou e que nunca errará, entenderia o nosso comportamento deplorável.
Afinal, seria perfeita.
Contradição.
Ela não seria humana.
Um andróide, talvez. Um extraterrestre. Um ser criado por nós mesmos...
Imaginário...
Fictício...
Irreal.
Sim, a perfeição é só uma criação humana.
O ser humano, para ser humano, tem que errar...
Errar e errar muito.
Perfeito é ser imperfeito.
O verdadeiro aprendizado advém dos erros que cometemos.
De fato.
Quem, em um belo dia, desceu sozinho do berço e aprendeu a andar na primeira tentativa? Sem ninguém por perto para ajudar a equilibrar o peso do pequeno corpo nas pernas ainda titubeantes?
Quem vê uma bicicleta parada, acha legal aquele simples e intrigante objeto, nunca antes visto, sobe e sai passeando pela cidade como se essa habilidade viesse adquirida desde o nascimento? Sem rodinhas para compensar?
Quem, no primeiro ano de idade, já sabe pronunciar, soletrar e interpretar de maneira brilhante todas as palavras e textos da língua portuguesa?
Quem sabe resolver, sem a ajuda de ninguém, todos os problemas matemáticos relacionados, por exemplo, ao Binômio de Newton sem nunca ter estudado tal assunto antes?
Quem, a partir do primeiro beijo, já é capaz de analisar e interpretar de maneira espetacular a complexidade de um relacionamento? De um casamento?
Quem, na primeira paixão de adolescente, pode dizer as mais insanas peripécias do amor?
A vida é um constante aprendizado.
Erramos para aprender.
Logo, erramos todos os dias constantemente, pois aprendemos diariamente.
Não que o aprendizado seja dependente apenas dos nossos erros... Aprendemos a aprender com a experiência dos outros também.
Entretanto, há quem prefira as suas próprias lições.
Nada é tão consolador na vida como saber que não somos os únicos errantes nesta terra de ninguém.
E isso nos faz prosseguir.
Levantar após as quedas.
Não somos os únicos, levantemos.
Viver assim, em um mundo imperfeito e entre imperfeitos, é perfeito...
Vivemos na perspectiva do acerto, mas temos o direito de errar.
Julgamo-nos incessantemente por nossos atos, pensamentos, comportamentos, desafios... Mas não podemos ser nossos próprios carrascos.
Devemos ser menos cruéis conosco.
Mesmo que a sociedade ou quem quer que seja, coloque sobre nossos ombros o peso de nossas próprias conquistas, temos sim a prerrogativa de poder não acertar sempre.
Expectativas.
Tentamos correspondê-las ou superá-las, porém nem sempre poderemos atingi-las.
Mas, lutemos.
Porque podemos nos esconder dos outros, todavia, nossa consciência estará sempre presente e dela não escaparemos nunca.
Eis a dinâmica da vida.
O mistério. A surpresa. A aspiração. O desejo. A curiosidade. A diferença.
O mundo não teria o menor sentido se nós já soubéssemos de tudo.
Se já fossemos tudo.
Perfeitos.
Não haveria vida.
Somente tédio.
Seria uma triste e melancólica contagem regressiva para a morte.
Não teríamos nada para fazer, pois já teríamos feito.
Nada para discutir. Nada para pensar. Nada para falar. Nada para criar. Nada para nada.
Porque já teríamos feito tudo.
Seríamos iguais. Completamente.
Afinal, seríamos perfeitos e não tem como ser perfeito sendo diferente... Seria contraditório.
A perfeição humana, na forma como é conhecida, é apenas um conceito.
Ainda bem. E que continue assim.
Na realidade, somos perfeitos.
Contudo, não dessa forma vaga e teórica, mas sim, da forma mais bela e viva possível: diferentes.
Somos perfeitos porque somos imperfeitos.
Sejamos felizes nesta vida perfeitamente imperfeita e que, por isso, é encantadora e fascinante.
Façamos felizes aqueles que nos cercam... Imperfeitos como nós.
E sejamos felizes com eles.
Façamos a diferença.
Qual seria o conceito mais adequado para essa palavra?
Existiria uma definição perfeita?
Dizemos que é perfeito aquilo ou aquele que reúne em si todas as qualidades possíveis.
Alguém seria capaz de apontar um defeito da perfeição?
William Maugham disse que um grave defeito da perfeição é a sua tendência em ser enfadonha.
Como viver com alguém perfeito?
Que não tem nada de errado?
Que não tem defeito físico ou psicológico?
Que nunca fez nada errado?
Não viveríamos.
Seria insuportável a convivência.
Seria impossível.
Não seria vida.
Seria tortura.
Teríamos vergonha de contar nossos erros, nossos conflitos, nossas lutas, nossas besteiras, nossos tropeços, nossas raivas e tudo o mais que nos aflige para alguém que não passa por nada disso...
Teríamos medo dessa pessoa...
Não agiríamos naturalmente na sua presença.
Simplesmente porque teríamos medo de errar diante dela.
Seria motivo suficiente para nos deixar mais do que apreensivos.
Viveríamos em uma constante pressão psicológica individual. Um conflito existencial.
Fatalmente sentiríamos inveja.
Lástima. Preconceito. Raiva. Culpa. Dor. Sofrimento.
Somos imperfeitos.
E, assim, a coexistência se tornaria insustentável.
Como ela nos entenderia já que nunca teria errado...?
Entenderia sim.
Mesmo sabendo que nunca errou e que nunca errará, entenderia o nosso comportamento deplorável.
Afinal, seria perfeita.
Contradição.
Ela não seria humana.
Um andróide, talvez. Um extraterrestre. Um ser criado por nós mesmos...
Imaginário...
Fictício...
Irreal.
Sim, a perfeição é só uma criação humana.
O ser humano, para ser humano, tem que errar...
Errar e errar muito.
Perfeito é ser imperfeito.
O verdadeiro aprendizado advém dos erros que cometemos.
De fato.
Quem, em um belo dia, desceu sozinho do berço e aprendeu a andar na primeira tentativa? Sem ninguém por perto para ajudar a equilibrar o peso do pequeno corpo nas pernas ainda titubeantes?
Quem vê uma bicicleta parada, acha legal aquele simples e intrigante objeto, nunca antes visto, sobe e sai passeando pela cidade como se essa habilidade viesse adquirida desde o nascimento? Sem rodinhas para compensar?
Quem, no primeiro ano de idade, já sabe pronunciar, soletrar e interpretar de maneira brilhante todas as palavras e textos da língua portuguesa?
Quem sabe resolver, sem a ajuda de ninguém, todos os problemas matemáticos relacionados, por exemplo, ao Binômio de Newton sem nunca ter estudado tal assunto antes?
Quem, a partir do primeiro beijo, já é capaz de analisar e interpretar de maneira espetacular a complexidade de um relacionamento? De um casamento?
Quem, na primeira paixão de adolescente, pode dizer as mais insanas peripécias do amor?
A vida é um constante aprendizado.
Erramos para aprender.
Logo, erramos todos os dias constantemente, pois aprendemos diariamente.
Não que o aprendizado seja dependente apenas dos nossos erros... Aprendemos a aprender com a experiência dos outros também.
Entretanto, há quem prefira as suas próprias lições.
Nada é tão consolador na vida como saber que não somos os únicos errantes nesta terra de ninguém.
E isso nos faz prosseguir.
Levantar após as quedas.
Não somos os únicos, levantemos.
Viver assim, em um mundo imperfeito e entre imperfeitos, é perfeito...
Vivemos na perspectiva do acerto, mas temos o direito de errar.
Julgamo-nos incessantemente por nossos atos, pensamentos, comportamentos, desafios... Mas não podemos ser nossos próprios carrascos.
Devemos ser menos cruéis conosco.
Mesmo que a sociedade ou quem quer que seja, coloque sobre nossos ombros o peso de nossas próprias conquistas, temos sim a prerrogativa de poder não acertar sempre.
Expectativas.
Tentamos correspondê-las ou superá-las, porém nem sempre poderemos atingi-las.
Mas, lutemos.
Porque podemos nos esconder dos outros, todavia, nossa consciência estará sempre presente e dela não escaparemos nunca.
Eis a dinâmica da vida.
O mistério. A surpresa. A aspiração. O desejo. A curiosidade. A diferença.
O mundo não teria o menor sentido se nós já soubéssemos de tudo.
Se já fossemos tudo.
Perfeitos.
Não haveria vida.
Somente tédio.
Seria uma triste e melancólica contagem regressiva para a morte.
Não teríamos nada para fazer, pois já teríamos feito.
Nada para discutir. Nada para pensar. Nada para falar. Nada para criar. Nada para nada.
Porque já teríamos feito tudo.
Seríamos iguais. Completamente.
Afinal, seríamos perfeitos e não tem como ser perfeito sendo diferente... Seria contraditório.
A perfeição humana, na forma como é conhecida, é apenas um conceito.
Ainda bem. E que continue assim.
Na realidade, somos perfeitos.
Contudo, não dessa forma vaga e teórica, mas sim, da forma mais bela e viva possível: diferentes.
Somos perfeitos porque somos imperfeitos.
Sejamos felizes nesta vida perfeitamente imperfeita e que, por isso, é encantadora e fascinante.
Façamos felizes aqueles que nos cercam... Imperfeitos como nós.
E sejamos felizes com eles.
Façamos a diferença.
Questionamentos
Estás cansado?
Estás recuperado?
Estás pensativo?
Estás confuso?
Estás perdido?
Estás em dúvida?
Estás certo?
Estás ocupado?
Estás desocupado?
Estás sem sentido?
Estás triste?
Estás feliz?
Estás atordoado?
Estás calmo?
Estás reflexivo?
Estás desinteressado?
Estás sorridente?
Estás sozinho?
Estás acompanhado?
Estás ouvindo?
Estás surdo?
Estás cego?
Estás lendo?
Estás falando?
Estás cantando?
Estás eufórico?
Estás dançando?
Estás parado?
Estás em movimento?
Estás aproveitando?
Estás livre?
Estás preso?
Estás atrasado?
Estás adiantado?
Estás disperso?
Estás atento?
Estás com problemas?
Estás sem problemas?
Estás vivendo?
Estás morrendo?
Estás bem?
Estás mal?
Estás escrevendo?
Estás apagando?
Estás estudando?
Estás aprendendo?
Estás lembrando?
Estás esquecendo?
Estás conversando?
Estás calado?
Estás sem amigos?
Estás com amigos?
Estás com fome?
Estás com sede?
Estás decidido?
Estás procurando?
Estás escondendo?
Estás planejando?
Estás construindo?
Estás destruindo?
Estás jogando?
Estás assistindo?
Estás analisando?
Estás perguntando?
Estás respondendo?
Estás se importando?
Estás desleixando?
Estás perdendo?
Estás ganhando?
Estás conquistando?
Estás se dedicando?
Estás economizando?
Estás odiando?
Estás amando?
Estás atuando?
Estás encenando?
Estás fingindo?
Estás mentindo?
Estás inventando?
Estás criando?
Estás começando?
Estás terminando?
Estás mandando?
Estás obedecendo?
Estás correndo?
Estás andando?
Estás deslizando?
Estás tropeçando?
Estás passando?
Estás ficando?
Estás mordendo?
Estás segurando?
Estás soltando?
Estás observando?
Estás comprando?
Estás pagando?
Estás vendendo?
Estás acertando?
Estás errando?
Estás fazendo?
Estás desfazendo?
Estás repetindo?
Estás inovando?
Estás enganando?
Estás sendo tu mesmo?
Estás aí?
Estás recuperado?
Estás pensativo?
Estás confuso?
Estás perdido?
Estás em dúvida?
Estás certo?
Estás ocupado?
Estás desocupado?
Estás sem sentido?
Estás triste?
Estás feliz?
Estás atordoado?
Estás calmo?
Estás reflexivo?
Estás desinteressado?
Estás sorridente?
Estás sozinho?
Estás acompanhado?
Estás ouvindo?
Estás surdo?
Estás cego?
Estás lendo?
Estás falando?
Estás cantando?
Estás eufórico?
Estás dançando?
Estás parado?
Estás em movimento?
Estás aproveitando?
Estás livre?
Estás preso?
Estás atrasado?
Estás adiantado?
Estás disperso?
Estás atento?
Estás com problemas?
Estás sem problemas?
Estás vivendo?
Estás morrendo?
Estás bem?
Estás mal?
Estás escrevendo?
Estás apagando?
Estás estudando?
Estás aprendendo?
Estás lembrando?
Estás esquecendo?
Estás conversando?
Estás calado?
Estás sem amigos?
Estás com amigos?
Estás com fome?
Estás com sede?
Estás decidido?
Estás procurando?
Estás escondendo?
Estás planejando?
Estás construindo?
Estás destruindo?
Estás jogando?
Estás assistindo?
Estás analisando?
Estás perguntando?
Estás respondendo?
Estás se importando?
Estás desleixando?
Estás perdendo?
Estás ganhando?
Estás conquistando?
Estás se dedicando?
Estás economizando?
Estás odiando?
Estás amando?
Estás atuando?
Estás encenando?
Estás fingindo?
Estás mentindo?
Estás inventando?
Estás criando?
Estás começando?
Estás terminando?
Estás mandando?
Estás obedecendo?
Estás correndo?
Estás andando?
Estás deslizando?
Estás tropeçando?
Estás passando?
Estás ficando?
Estás mordendo?
Estás segurando?
Estás soltando?
Estás observando?
Estás comprando?
Estás pagando?
Estás vendendo?
Estás acertando?
Estás errando?
Estás fazendo?
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Estás repetindo?
Estás inovando?
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Estás aí?
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